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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Belo Monte


Por que sou contra Belo Monte


Em entrevista, o cacique Raoni fala sobre a ligação dos índios com a terra e sua luta contra a construção da usina de Belo Monte - que deve afetar o território de 12 tribos




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Nos anos 1990, o cacique Raoni, da tribo dos Caiapós, fez barulho internacional e pôs fim à construção da barragem de Kararaô, no Pará. Quase 20 anos depois, rebatizada como Belo Monte, as obras começam a acontecer. Com dificuldades no português, o cacique fala sobre a ligação dos índios com a terra e a luta contra a construção da usina - que deve afetar o território de 12 tribos.

Qual é a principal dificuldade para uma tribo quando ela é obrigada a migrar para outro lugar? É muito difícil o índio viver em outra terra. Ele está acostumado a viver no lugar onde os parentes, os avós, os bisavós ocuparam. É onde está o cemitério da família. Ele gosta de ficar onde os parentes antigos ficaram, onde estão enterrados. E tem a questão da comida: eles estão acostumados com aquela área, aquela floresta, onde tem tudo. Tem caça, tem pesca, tem frutas [os índios da região deBelo Monte ainda dependem de caça e colheita para sobreviver]. Quando são levados para outro lugar, não se acostumam.

Você já acompanhou a história de alguma tribo que precisou mudar de lugar e não se adaptou ao novo território?
Aconteceu com os Panarás, Tapayunas, Kaiabis - todas do Mato Grosso. Eles não se acostumaram com outros matos. A tribo Panará ficava no rio Peixoto. Quando o governo abriu a estrada de Cuiabá a Santarém, passou no meio da terra deles e eles ficaram sem nada. A Funai os levou para o Parque do Xingu, onde viveram por 20 anos. Mas não conseguiram se adaptar muito bem, não era a terra deles. Depois de 20 anos de luta, conseguiram arranjar outra terra perto do rio Peixoto, aí voltaram para lá. Ou seja, não ficaram bem na nova terra. Tem também os Tapayunas, que eram do rio Juruena, mas perderam as terras de lá. Quando fizeram contato com os brancos, a tribo quase acabou, morreu [os invasores os alimentaram com carne envenenada]. Os poucos sobreviventes foram levados depois para o Parque do Xingu. Todos esses grupos indígenas precisaram ser transferidos para um lugar que não era a terra de tradição deles. Alguns aceitam, outros não e tentam voltar para a terra, mas já não tem mais floresta. Acabou o lugar onde ele viviam, os fazendeiros derrubam todo o mato. Se acontecer de novo e inundar Belo Monte, para onde eles vão? Onde que ainda restam florestas e terras desocupadas?

Wikimedia Commons{txtalt}


E nem todos os índios são contra a construção da usina, certo? Sabe quais são as reivindicações deles? A maioria dos indígenas perto da barragem é contra a construção da usina. Segundo informação que tive, a maioria é contra. É a minoria que aceita negociar com o governo. Mas não sei o que eles querem em troca. [De acordo com o Instituto Raoni, as tribos fizeram uma lista de pedidos, com cabeças de gados, ambulâncias, barcos, micro-ônibus, tratores, torres de telefonia celular e internet, e indenizações perpétuas. Mas o cacique não endossa os pedidos].

Os índios ainda acreditam que as obras podem parar? Eles precisam continuar lutando contra a construção da barragem. Nós aqui vamos ajudá-los nessa luta. Eles lá, nós aqui. Tem tempo que estamos nessa briga e não vamos parar, não queremos parar. Não dá para desistir.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Como lidar com o Bullying




BULLYING


Prática: O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vitima ao isolamento social. Este isolamento é obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:

  • Espalhar comentários;
  • Recusa em se socializar com a vitima;
  • Intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vitima;
  • Ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vitima, religião, incapacidades, etc).


Em um estudo entre alunos autores de bullying, 5,18% afirmaram que não receberam nenhum tipo de orientação ou advertência por seus atos. Provavelmente porque 41,6% dos que admitiram ser alvos de bullying relatarem não ter solicitado ajuda aos colegas, professores ou família. Enquanto a sociedade não resolver o problema de bullying nas escolas, dificilmente conseguirá reduzir as outras formas de comportamentos agressivos e destruídos entre adultos.
Os bullies usam principalmente uma combinação e humilhação para atormentar os outros. Alguns exemplos das técnicas de assédio escolar.

Insultar

  • A vitima;
  • Acusar sistematicamente a vitima de não servir para nada;
  • Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou sua propriedade;
  • Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc., danificando-os;
  • Espalhar rumores negativos sobre a vitima;
  • Depreciar a vitima sem qualquer motivo;
  • Fazer com que a vitima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;
  • Colocar a vitima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vitima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully;
  • Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência;
  • Isolamento social da vítima;
  • Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying: criar páginas falsas, comunidades ou perfis sobre a vítima em sites de relacionamento com publicação de fotos, por exemplo;


Chantagem

-Expressões ameaçadoras;
-Grafitagem depreciativa;
-Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo para alguém de fora, enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma “vitima perfeita.”);
-Fazer com que a vítima passe vergonha na frente de várias pessoas.

Bullying professor-aluno

O assédio escolar pode ser praticado de professor para aluno. As técnicas mais comuns são:

  • Intimidar o aluno em voz alta, rebaixando-o perante a classe e ofendendo sua auto-estima. Uma forma mais cruel e severa é manipular a classe contra um único aluno, expondo-o à humilhação;
  • Assumir um critério mais rigoroso com o aluno, e não com os demais, na correção de provas. Alguns professores podem perseguir alunos com notas baixas;
  • Ameaçar o aluno de reprovação;
  • Negar ao aluno o direito de ir ao banheiro ou beber água, expondo-o à tortura psicológica;
  • Difamar o aluno no Conselho de professores, junto aos coordenadores, e acusá-lo de atos que não cometeu;
  • Tortura física, mais comuns em crianças pequenas. Puxões de orelha, tapas e cascudos.

Tais atos violam o Estatuto da Criança e do Adolescente e podem ser denunciadas em um Conselho Tutelar; solicitar a elaboração de um Boletim de Ocorrência na Delegacia ou no Ministério Público.


Boletim de Ocorrência

Destaca-se a importância de se registrar um Boletim de Ocorrência quando se é vitima de alguma ação delituosa. O registro da ocorrência permite a identificação e a captura dos infratores com mais rapidez. As ocorrências podem ser registradas na Delegacia mais próxima do local, ou via internet.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sobre a Rio+20




                                       
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009.

O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

A Conferência terá dois temas principais: 
§  A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e
§  A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. 
A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16  e 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.



Os preparativos para a Conferência
A Resolução 64/236 da Assembleia-Geral das Nações Unidas determinou a realização da Conferência, seu objetivo e seus temas, além de estabelecer a programação das reuniões do Comitê Preparatório (conhecidas como “PrepComs”). O Comitê vem realizando sessões anuais desde 2010, além de “reuniões intersessionais”, importantes para dar encaminhamento às negociações.
Além das “PrepComs”, diversos países têm realizado “encontros informais” para ampliar as oportunidades de discussão dos temas da Rio+20.

O processo preparatório é conduzido pelo Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e Secretário-Geral da Conferência, Embaixador Sha Zukang, da China. O Secretariado da Conferência conta ainda com dois Coordenadores-Executivos, a Senhora Elizabeth Thompson, ex-Ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados, e o Senhor Brice Lalonde, ex-Ministro do Meio Ambiente da França. Os preparativos são complementados pela Mesa Diretora da Rio+20, que se reúne com regularidade em Nova York e decide sobre questões relativas à organização do evento. Fazem parte da Mesa Diretora representantes dos cinco grupos regionais da ONU, com a co-presidência do Embaixador Kim Sook, da Coréia do Sul, e do Embaixador John Ashe, de Antígua e Barbuda. O Brasil, na qualidade de país-sede da Conferência, também está representado na Mesa Diretora.

Os Estados-membros, representantes da sociedade civil e organizações internacionais tiveram até o dia 1º de novembro para enviar ao Secretariado da Conferência propostas por escrito. A partir dessas contribuições, o Secretariado preparará um texto-base para a Rio+20, chamado “zero draft” (“minuta zero” em inglês), o qual será negociado em reuniões ao longo do primeiro semestre de 2012.

Com o objetivo de garantir que a Rio+20 observe os pilares do desenvolvimento sustentável, o Governo brasileiro criou,  no âmbito do Comitê Nacional de Organização, uma Coordenação de Sustentabilidade. Sua função é analisar e propor ações para reduzir, mitigar ou compensar os impactos ambientais e sociais gerados pela conferência.

As ações estão organizadas em nove dimensões:  gestão das emissões de gases de efeito estufa, resíduos sólidos, compras públicas sustentáveis, eficiência  energética, recursos hídricos, construções sustentáveis, alimentos sustentáveis, educação ambiental, turismo sustentável e transporte.
     




      Fonte: Rio + 20, sustentabilidade- GEE
      S.P. 05/06/2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Namoro na adolescência: combinação de sentimentos intensos



Namoro na adolescência: combinação de sentimentos intensos

Como superar o sofrimento que o relacionamento afetivo nessa fase pode gerar


A adolescência é uma importante fase do desenvolvimento humano, pois durante esse período é vivenciada a passagem da infância para a vida adulta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define adolescência como "uma etapa intermediária do desenvolvimento humano, entre a infância e a fase adulta, que ocorre entre os 10 e 20 anos de idade."

Durante essa passagem transformações emocionais e corporais ocorrem e muitas situações novas são vivenciadas gerando conflitos que parecem sem solução para quem os vivenciam. Dentre as situações e os conflitos pela primeira vez vivenciados, têm grande destaque os relacionamentos afetivo. É durante a adolescência que grandes paixões são sentidas e os romances são vividos com profunda intensidade. 
Os jovens "mergulham de cabeça" nos relacionamentos, se apaixonam com muita força e vivem como se no mundo só existisse a pessoa amada
 Quando o adolescente se apaixona pela primeira vez, é remetido aos contos de fada infantis, nos quais o príncipe e a princesa viveriam felizes para sempre e acaba idealizando a pessoa amada como algo mágico e perfeito.

Os jovens "mergulham de cabeça" nos relacionamentos, se apaixonam com muita força e vivem como se no mundo só existisse a pessoa amada. São capazes de mudar seus planos, sua rotina e sua opnião em prol do bem estar do outro. 

Mas, quando o jovem se dá conta que a princesa não é tão perfeita assim, ou que o príncipe pode demorar um pouco para aparecer, se sente frustrado e impotente e, devido a pouca maturidade e experiência, apresenta dificuldade para lidar com tudo isso.

Nesse momento cabe aos pais ou a um profissional especializado oferecer auxilio e condições para que o jovem possa compreender e superar o ocorrido. Mas, infelizmente, por falta de um bom relacionamento em casa, vergonha dos pais ou medo de ser repreendido, o adolescente busca ajuda com os amigos que estão vivenciando os mesmos conflitos, mas que também não tem experiência e maturidade para solucioná-los.
Como conseqüência de falta de apoio frente aos conflitos pode aparecer mudanças no comportamento, isolamento social, dificuldade escolar, perda de interesse nas tarefas cotidianas, interesse em abandonar os estudos (escola e faculdade), alteração no sono e no apetite e até depressão, transtorno de ansiedade e crises de pânico.

Para quem é adulto e já passou por essas vivências tudo isso pode parecer "bobeira", "charme", "falta do que fazer" ou "vontade de chamar a atenção". Mas para que está vivendo a situação a dor, o sofrimento, a dúvida e todo o conflito são realmente reais e devem ser respeitados, levados a sério e orientados para que possam ser superados.  
Portanto, se você é adolescente e está sofrendo devido a uma grande paixão ou por um sentimento não correspondido procure conversar com pessoas mais experientes que você.

E se você é pai de um adolescente que está demonstrando sinais de sofrimento ou alteração de comportamento e não sabe como agir, procure o auxilio de um profissional especializado que será capaz de orientar o seu filho a superar a situação.  

foto especialista

ESCRITO POR:
Milena Lhano
Psicóloga